Hormônios de aprendizagem podem influenciar o impulso de apostar: foi um momento de ‘estalo’ para mulher britânica. Nova pesquisa busca comprová-lo.
Uma nova iniciativa de pesquisa busca confirmar cientificamente a ligação anedótica entre flutuações hormonais e impulsos de apostar em mulheres, após um momento de ‘estalo’ vivido por uma mulher britânica em recuperação. Kiki Marriott, que concluiu um tratamento residencial para dependência de jogo, percebeu que seu impulso de apostar parecia atingir o pico durante uma fase específica de seu ciclo menstrual.
O ‘estalo’ de Kiki Marriott
A percepção de Marriott veio depois que ela entrou em tratamento e começou a acompanhar seus impulsos junto com seu ciclo menstrual. Ela descobriu que, durante certas fases, particularmente perto da ovulação e no período pré-menstrual, a compulsão para apostar se tornava significativamente mais difícil de resistir. Esse padrão, ela observou, não era algo do qual estivesse ciente enquanto apostava ativamente, mas se tornou claro apenas em retrospecto. Sua história ressoou com outras mulheres em recuperação, muitas das quais compartilharam experiências semelhantes.
Objetivos da pesquisa
O estudo, conduzido no Reino Unido, visa recrutar um grupo de mulheres que sofreram danos relacionados a apostas e monitorar seus níveis hormonais junto com os impulsos de apostar autorrelatados. Os pesquisadores esperam identificar se há uma correlação estatisticamente significativa entre marcadores hormonais específicos — como estrogênio e progesterona — e a intensidade dos desejos de apostar. Se confirmados, os resultados podem ter implicações profundas para estratégias de tratamento e prevenção, permitindo potencialmente que as mulheres antecipem períodos de alto risco e implementem intervenções direcionadas.
Historicamente, a dependência de jogo tem sido estudada predominantemente em populações masculinas, com tratamentos frequentemente projetados sem considerar os ciclos hormonais. A nova pesquisa pode abrir caminho para abordagens mais personalizadas, como terapia com consciência do ciclo ou ajuste do momento da medicação. Também destaca a importância de ouvir as experiências vividas por quem está em recuperação, já que a observação de Marriott poderia, de outra forma, ter permanecido anedótica.
O contexto mais amplo dessa pesquisa é o foco crescente nos comportamentos de apostas das mulheres. Embora os homens ainda representem a maioria dos apostadores problemáticos, a diferença está diminuindo, e as mulheres têm mais probabilidade de buscar ajuda para problemas relacionados a apostas. No entanto, os programas de tratamento nem sempre foram adaptados às suas necessidades específicas. Este estudo representa um passo para abordar essa lacuna, potencialmente levando a um suporte mais eficaz para mulheres que lutam contra a dependência de jogo.
A história de Marriott foi descrita como um ‘momento de estalo’ pelos pesquisadores, que enfatizam que tais percepções de pessoas em recuperação podem ser inestimáveis. A pesquisa ainda está em estágios iniciais, mas se bem-sucedida, poderia validar as experiências de inúmeras mulheres e levar a ferramentas práticas para gerenciar os impulsos de apostar.
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